sexta-feira, 19 de julho de 2013

ORGULHO E ARROGÂNCIA NO CAMINHO



Se nossa prática não diminui o auto-apego, ou talvez até aumente, então não importa o quanto somos austeros e determinados, não importa quantas horas por dia nos devotamos à aprender, refletir e meditar, nossa prática espiritual é em vão.

Um derivado próximo do auto-apego é o sentimento de auto-importância. 
Tal arrogância ou orgulho é uma armadilha bem perigosa para pessoas praticando o Dharma. 
Especialmente no budismo tibetano — com seus diversos níveis de prática, as aspirações arrebatadoras do caminho do bodisatva e o mistério cercando a iniciação no tantra — podemos facilmente nos sentir parte de uma elite.

Além disso, a filosofia do budismo é tão sutilmente refinada e penetrante que, ao ganharmos alguma compreensão dela, isso pode dar origem ao orgulho intelectual.
Mas se esses são os resultados da prática, então alguma coisa saiu errada. 


Lembre-se do conhecido ditado entre budistas tibetanos: um pote com pouca água dentro faz bastante barulho quando chacoalhado, mas um pote cheio de água não faz ruído nenhum.


Pessoas com muito pouca realização com frequência querem contar a todos sobre os insights que tiveram, o êxtase e as sutilezas de sua meditação e como isso transformou radicalmente suas vidas.


Mas aqueles que estão verdadeiramente impregnados de realização não se sentem compelidos a anunciar isso; no lugar disso, simplesmente residem nessa realização. 


Eles não estão preocupados em descrever seu próprio progresso, mas em tocar a consciência dos outros de modo que seus corações e mentes possam ser despertados.


~ B. Alan Wallace (EUA, 1950)

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