Não acho ruim ter um carro, muito pelo contrario, acho (as vezes) necessário
e gostoso. Mas é fundamental que a pessoa entenda que a dependência é o
problema, se não tem o carro naquele momento não consegue fazer nada. E pior,
pira! Já vi muita gente enlouquecida sem carro, sem celular, sem luz, etc... Nós e nossa "falsa liberdade", tomar consciencia é ter qualidade de vida e ainda ajudamos o planeta. O lance é trabalhar as dependências. Eu acho! Renata
Não acho ruim ter um carro, muito pelo contrario, acho (as vezes) necessário e gostoso. Mas é fundamental que a pessoa entenda que a dependência é o problema, se não tem o carro naquele momento não consegue fazer nada. E pior, pira! Já vi muita gente enlouquecida sem carro, sem celular, sem luz, etc... Nós e nossa "falsa liberdade", tomar consciencia é ter qualidade de vida e ainda ajudamos o planeta. O lance é trabalhar as dependências. Eu acho! Renata
Os desafios, as soluções e os prazeres de quem decidiu abrir mão do automóvel particular
A perda do poder de sedução do carro é uma tendência mundial, como ÉPOCA mostrou na edição 758 (leia a reportagem aqui). No Brasil, tal comportamento foi confirmado pela Pesquisa de Origem e Destino do Metrô de São Paulo: de 1997 a 2007, o uso de transporte público na capital subiu de 45% para 55%. Segundo a imobiliária Lopes, 63% dos próximos lançamentos residenciais na capital estarão a até 1 quilômetro de uma estação do metrô.
Ganhar qualidade de vida na locomoção diária virou sonho de consumo da classe média. ÉPOCA entrevistou seis brasileiros que escolheram viver sem carro. Eles não fizeram isso por ativismo. Pelo contrário, guardam ótimas lembranças dos carros que tiveram. Apenas resolveram experimentar outra forma de viver e não se arrependeram. Nessa experiência, enfrentaram dificuldades. O carro particular é um meio de transporte confortável e conhecido. A música ambiente, as pessoas e mesmo a temperatura a bordo são escolhidas pelo dono. O carro está pronto para sair a qualquer momento, para qualquer lugar. Para alguém acostumado a essa verdadeira extensão motorizada da casa, os transportes alternativos são um salto rumo ao imprevisível. De bicicleta, táxi, metrô, ônibus ou a pé, a pessoa entra em contato com desconhecidos. Precisa conhecer bem a cidade, como linhas de ônibus e telefones de centrais de táxi, e avaliar a melhor combinação de meios de transporte para cada objetivo. Objetivos nem sempre fáceis de atender, como transportar crianças pequenas e suas bagagens. Casado e pai de dois filhos pequenos, o biólogo Uirá Lourenço anda por Brasília numa bicicleta tamanho-família. “É tão confortável que eles cochilam nas cadeirinhas, durante a viagem”, diz. Depois de encarar o desafio, os seis entrevistados viraram entusiastas da vida sem carro. Contam suas histórias aos amigos – e são cada vez mais ouvidos.
O Brasil não está pronto para acolher aqueles que desistem do carro particular. Mas, como mostram os quadros a seguir, nossas cidades evoluíram na última década. E têm condições de melhorar ainda mais, seguindo os exemplos internacionais.
De bicicleta
Para o biólogo paraense Uirá Lourenço, trocar o carro pela bicicleta não foi o mais complicado. Quando tomou a decisão, aos 22 anos, sua vida de universitário cabia numa mochila. O desafio foi manter a opção. Desde então, Lourenço se casou, teve dois filhos e virou consultor. Viver em Brasília, com topografia plana e chuvas concentradas numa estação do ano, ajuda. “Pedalo até debaixo de chuva”, diz. “Temos um kit com capa e calça impermeável.” A bagagem vai num baú de motocicleta, adaptado. Barrado algumas vezes na entrada do Ministério do Meio Ambiente, ao chegar de bermuda, Lourenço passou a pedalar de calça. “Falta estrutura para receber o ciclista”, diz. Iuri e Cauã, filhos de Lourenço, andam de bicicleta desde quando estavam na barriga da mãe, Ronieli. Ao nascer, viajavam em suportes tipo canguru. Bolsas com fraldas e mamadeiras iam na mochila. “Parece difícil levar a bagagem de bebês, mas não foi”, diz. Hoje, com 3 e 4 anos, os filhos andam em cadeirinhas, numa bicicleta tamanho-família. Lourenço diz que nunca sofreram um acidente. “É tão confortável que eles se acostumaram a dormir no caminho.” A casa de Lourenço tem 11 bicicletas. As menores são dos filhos. Recentemente, os dois foram à escola pedalando por conta própria – e sem rodinhas. “Ganhei minha autonomia aos 18 anos, com o carro”, diz. “Eles estão ganhando a deles, tão pequenininhos, de forma tão saudável.”
Para o biólogo paraense Uirá Lourenço, trocar o carro pela bicicleta não foi o mais complicado. Quando tomou a decisão, aos 22 anos, sua vida de universitário cabia numa mochila. O desafio foi manter a opção. Desde então, Lourenço se casou, teve dois filhos e virou consultor. Viver em Brasília, com topografia plana e chuvas concentradas numa estação do ano, ajuda. “Pedalo até debaixo de chuva”, diz. “Temos um kit com capa e calça impermeável.” A bagagem vai num baú de motocicleta, adaptado. Barrado algumas vezes na entrada do Ministério do Meio Ambiente, ao chegar de bermuda, Lourenço passou a pedalar de calça. “Falta estrutura para receber o ciclista”, diz. Iuri e Cauã, filhos de Lourenço, andam de bicicleta desde quando estavam na barriga da mãe, Ronieli. Ao nascer, viajavam em suportes tipo canguru. Bolsas com fraldas e mamadeiras iam na mochila. “Parece difícil levar a bagagem de bebês, mas não foi”, diz. Hoje, com 3 e 4 anos, os filhos andam em cadeirinhas, numa bicicleta tamanho-família. Lourenço diz que nunca sofreram um acidente. “É tão confortável que eles se acostumaram a dormir no caminho.” A casa de Lourenço tem 11 bicicletas. As menores são dos filhos. Recentemente, os dois foram à escola pedalando por conta própria – e sem rodinhas. “Ganhei minha autonomia aos 18 anos, com o carro”, diz. “Eles estão ganhando a deles, tão pequenininhos, de forma tão saudável.”
De táxi"Sempre fui apaixonado por carros”, diz o publicitário Ricardo Santos, de 39 anos, enquanto mostra, no celular, fotos de carros iguais aos oito modelos que teve. Há três anos, descobriu uma paixão ainda maior: seu próprio dinheiro. Fez contas e concluiu que o automóvel lhe custava R$ 9 mil por ano. “Nove paus!”, diz, ainda surpreso. “Dava para fazer uma grande viagem por ano.” Ele, que acabara de vender um carro, decidiu não comprar outro. Reservou a quantia para gastar com corridas de táxi. “Hoje, não tenho nenhum pudor em recorrer aos taxistas”, diz. “Peço um quando está chovendo, quando tem subida íngreme demais ou quando estou com preguiça.” Com 30 corridas por mês, Santos gasta cerca de R$ 600 – 20% menos do que gastava com o carro. “Minha vida ficou 95% mais fácil”, diz. “Não me estresso mais no trânsito, não me preocupo com estacionamentos e, em vez de dirigir, me divirto ouvindo histórias de taxistas.” Mesmo feliz com o táxi, Santos ainda se sentia mal quando o trânsito parava. “Ficava tão angustiado com o taxímetro rodando que saía do carro e ia andando ou correndo”, diz. Resolveu sua angústia com uma bicicleta dobrável, capaz de caber em qualquer porta-malas. “Não existe uma solução para o transporte em São Paulo, mas uma combinação de soluções”, diz. “Táxi, carona, carro, skate ou patins, o que é bom para mim pode não ser para você.”
De carona
Fábio Fonseca morava na Barra da Tijuca e estudava engenharia da computação na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão. São dois dos piores lugares da cidade para viver sem carro. Na Barra, tudo é tão distante que há quem pegue táxi apenas para atravessar a Avenida das Américas, principal via do bairro. Insatisfeito com o transporte público, em 2005 Fonseca passou a ir à faculdade dirigindo. Não se sentia à vontade, porém, em viajar sozinho e ver os colegas parados nos pontos de ônibus. “O carro era um mal necessário, no meu bairro”, afirma. “A alternativa era juntar várias pessoas em um só veículo.” Em 2010, ele e um amigo, Thiago de Carvalho, criaram o portal CarUni, para unir motoristas e caroneiros. O projeto, que nasceu como um dever de casa da faculdade, tornou-se um sucesso. No primeiro mês, cerca de 500 estudantes se cadastraram. Hoje, há mais de 4 mil inscritos, de sete universidades. “O site virou nosso trabalho de conclusão de curso”, diz. O projeto tirou carros das ruas. Baixou a despesa dos motoristas, que puderam rachar a despesa do combustível com os passageiros. Deu rapidez e conforto aos caroneiros e fez surgir amizades. Hoje, o site funciona por conta própria. Fonseca abriu uma empresa de soluções empresariais e tornou-se um caroneiro. “Vou e volto do trabalho com um amigo da empresa”, diz.













Nenhum comentário:
Postar um comentário