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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O papel do japa - Cadernos de Yoga

O japa é a disciplina meditativa na qual repetimos um mantra. Essa repetição pode ser feita em voz alta (vaikhārī), na forma de um murmúrio (upamṣu), ou mentalmente (manasa), sendo a segunda mais potente que a primeira, e a terceira mais potente que ambas. Outra maneira de fazer japa é escrevendo o mantra repetidas vezes (likhīta japa).


O japa tem a virtude de nos dar foco e atentividade. 
Ao fazermos concentração num devattā, numa deidade, o pensamento flui em direção a ela e, naturalmente, as emoções e pensamentos se acalmam. Isso, por sua vez, nos prepara para o conhecimento. 

Ensina Swāmi Dayānanda: “na prática de japa quebramos a associação livre dos pensamentos. Como o estímulo mântrico é sempre uniforme, fica fácil evitar a dispersão natural que tende a acontecer noutras situações”.


Trecho do artigo A Meditação na Tradição Yogika de Pedro Kupfer ed 36 Primavera 2012

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Yoga: posturas para ativar os chacras em 20 minutos

Por meio de sete posturas da yoga, é possível avivar os centros de energia do corpo, garantindo mais disposição e equilíbrio para encarar o dia a dia.




Desde os tempos mais antigos, diversas culturas tentam explicar o que é essa matéria invisível que nos dá vida. Para os chineses ela se chama chi; para os egípcios, ba; para os havaianos, mana; na Índia é prana. 


Até hoje o assunto desperta interesse de pensadores e cientistas, como o Ph.D. Tsuyoshi Ohnishi, do Instituto Biomédico da Filadélfia, nos Estados Unidos, que já publicou diversos artigos sobre a eficácia do uso dessa energia vital na cura e manutenção da saúde.

Apesar das diferentes descrições de como funciona e de onde vem esse misterioso poder, é consenso que essa energia, quando desequilibrada, nos faz adoecer. Os recursos que podem manter esse fluxo livre, no entanto, são muito simples.

Um deles é a ioga. Por meio de posturas, a prática consegue acessar a energia vital e seus centros de processamento, os chamados chacras.


 Uma autoridade no assunto é o mestre americano Goswami Kriyananda, 82, um dos últimos discípulos vivos de Sri Shelliji, que foi discípulo direto de Paramahansa Yogananda, autor de Autobiografia de um Iogue, uma das mais renomadas obras espirituais já escritas.


Segundo Kriyananda, os três mais importantes canais de energia do corpo acompanham a coluna vertebral – um segue em linha reta do cóccix ao topo da cabeça e os outros dois vão serpenteando essa linha central – e nas interseções entre os três se formam os chacras.


 “Por isso, a ioga foca o alongamento e a flexibilidade da coluna”, diz o mestre, “para que a energia possa fluir para cima sem impedimentos.”

Cada um desses centros de energia está alinhado com uma glândula endócrina e, segundo se percebeu ao longo do tempo, se relaciona a uma área da vida.


 O muladhara, por exemplo, conhecido no Ocidente como chacra básico, está situado na base da coluna, rege ovário e testículos e lida com impulsos como o dinheiro, a segurança e a sobrevivência.

Já o svadhisthana, localizado na região púbica, está ligado aos órgãos sexuais, à sexualidade e à criatividade. Quando a capacidade total desses centros de processamento não é acessada, a energia fica dormente. 


Para ativá-la, o mestre Kriyananda aponta, em seu livro The Spiritual Science of Kriya Yoga, posturas específicas para regular e fortalecer cada chacra. A série deve ser feita diariamente, numa sessão de pelo menos 20 minutos. 

“Ao aderir a esse compromisso, você estabelece autodisciplina. Se o corpo obedece à mente quando lhe é solicitado fazer as posturas, o corpo também obedecerá na hora de relaxar. Daí em diante vivemos com mais felicidade, contentamento e sabedoria”, completa Kriyananda.

Ao executar a postura, respeite seu limite. Faça cinco respirações, expirando lentamente. No final da sequência, deite-se por 5 minutos.



 Chacra muladhara


Cor: vermelho. Localização: base da coluna. Órgãos que rege: ovário e testículos. Áreas da vida em que atua: dinheiro, segurança e sobrevivência. Postura: paschimottanasana, ou posição da pinça. Com as coxas contraídas, sinta as pernas firmes no chão. Leve então a barriga e o peito em direção aos joelhos, esticando a cabeça como se ela fosse tocar os pés. Tente manter as costas neutras, focando o alongamento na parte de trás da coxa.

Chacra svadhisthana


Cor: laranja. Localização: região pubiana. Órgãos que rege: gônadas e nervos sacrais. Áreas da vida em que atua: sexualidade e criatividade. Postura: setu bandha sarvangasana, ou postura da ponte. Deite-se com os joelhos dobrados, pés próximos dos quadris, braços ao lado do corpo. Inspirando, levante vértebra por vértebrada coluna começando pelo cóccix, formando um arco. Mantenha os ombros no chão e não vire a cabeça. Expirando, desça devagar.

Chacra manipura



Cor: amarelo. Localização: umbigo. Órgãos que rege: pâncreas e adrenais. Áreas da vida em que atua: poder pessoal, autoconfiança e força de vontade. Postura: ardha chakrasana, ou postura da meia roda. De pé, eleve os braços devagar com a palma das mãos voltada uma para a outra. Confortavelmente se estique para trás alongando braços e pescoço. Mantenha as coxas contraídas e as pernas bem esticadas, sem dobrar os joelhos.


Chacra anahata



Cor: verde. Localização: centro do peito. Órgão que rege: timo. Áreas da vida em que atua: amor, compaixão e autoaceitação. Postura: pose mahavirasana, ou postura de mahavira. Comece de pé. Coloque a perna direita para a frente e dobre o joelho. Estique a perna esquerda para trás. Inspirando, apoie as mãos no joelho e empurreos ombros para trás, alongando e expandindo o peito. Lembre-se de alternar as pernas.

Chacra vishuddha


Cor: azul. Localização: base do pescoço. Órgão que rege: tireoide. Áreas da vida em que atua: comunicação e clareza de ideias. Postura: salamba sarvangasana, ou postura da vela. Deitado de barriga para cima, eleve as pernas em direção ao teto apoiando os quadris nas mãos e o queixo no peito. Tente ficar o mais reto possível. Para sair da pose, deixe os pés caírem um pouco para a frente, e então desenrole a coluna vértebra por vértebra, focando o alongamento na parte de trás das coxas.


Chacra ajna 



Cor: índigo. Localização: entre as sobrancelhas. Órgão que rege: glândula pituitária. Áreas da vida em que atua: intuição, sabedoria e fé. Postura: sash tan gadan dawatasana, ou postura da prostração espiritual. Deitado de barriga para baixo, leve os braços para a frente, cruzando os pulsos. A ênfase é dada na atenção à respiração, que deve ser sentida nas costas. Esta postura é utilizada para intensificar a conexão com mestres espirituais.


Chacra sahaswara


Cor: violeta. Localização: topo da cabeça. Órgão que rege: glândula pineal. Áreas da vida em que atua: conexão espiritual, iluminação e vibração divina. Postura: chaturanga dandasana, ou postura da prancha. De barriga para baixo, deixe as pernas esticadas, com os calcanhares para cima. Coloque a palma das mãos no chão ao lado das costelas flutuantes. Eleve o tronco o suficiente para que os cotovelos e os ombros estejam alinhados numa linha paralela ao chão.



Fonte: Bons Fluidos 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Inspire Expire



"Inspire, e Deus se aproxima de você. Segure a inspiração e Deus permanece com você. Expire, e você se aproxima de Deus. Segure a expiração, e entregue-se a Deus".

Krishnamacharya

domingo, 26 de maio de 2013

[NO CAMINHO] Entrevista com Oberom - Felicidade





O apego gera dor e sofrimento... Tudo é impermanente, incluindo nosso corpo físico. Estamos nesse mundo para viver a nossa essência, nossa plenitude!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O cérebro em meditação

A ciência prova que meditar reestrutura o cérebro e pode treiná-lo para se concentrar, sentir maior compaixão, lidar com o estresse, e mais...



Yoga citta vritti nirodhah 
Yoga é fim das perturbações da mente (Yoga Sutra, I.2)

Nada é mais satisfatório do que a prática de Yoga cheia de movi- mento. Uma intensa e suada prática de Ashtanga; uma gentil, mas cautelosa prática de Viniyoga; ou algo entre as duas; todos os sis- temas de Hatha Yoga fornecem um fulgor satisfatório pela mesma razão: você sincroniza os movimentos com a respiração. Quando o faz, sua mente para sua agitação obsessiva e começa a diminuir o ritmo. Sua atenção se muda da sua extensa lista de afazeres para o ritmo da respiração e você se sente mais calmo do que antes de começar a prática. Para muitos de nós, acessar esse mesmo estado satisfatório e calmo é mais difícil em meditação. Não é fácil assistir à mente revelar suas preocupações, sua autocrítica ou suas memórias antigas. Meditação requer paciência e – ainda mais desafiador para a maioria dos ocidentais – tempo. Então, por que você se coloca nessa luta? Muito simples; a meditação pode alterar profundamente sua experiência de vida. Há milhares de anos o sábio Patañjali, que compilou o Yoga Sutra, e Buda prometeram que a meditação podia eliminar o sofrimento causado por uma mente indomada. Eles ensinaram seus alunos a cultivar atenção focada, compaixão e alegria. E acreditaram que era possível mudar os poderes mentais e padrões emocionais de alguém experimentando regularmente estados meditativos. Essa era uma promessa forte. Hoje em dia, cientistas ocidentais estão testando a sabedoria dos mestres, usando uma nova tecnologia que permite estudar como a meditação influencia o cérebro.

As descobertas recentes são suficientemente emocionantes para encorajar até os mais resistentes yogis a sentar na almofada: elas sugerem que a meditação – mesmo em doses pequenas – pode influenciar profundamente sua experiência do mundo remodelando a estrutura física do cérebro. Continue lendo para descobrir como, e coloque cada descoberta em prática com meditações dos professores de Yoga: Christopher Tompkins, Frank Jude Boccio e Kate Vogt. 
 

Como a Meditação Treina o Cérebro 

Usando um equipamento de ressonância magnética, Eileen Luders, pesquisadora do departamento de neurologia da Escola de Medicina de Los Angeles, da Universidade da Califórnia, procurou evidências de que a meditação muda a estrutura física do cérebro. Até recentemente, essa ideia parecia absurda. “Cientistas acreditavam que o cérebro alcança seu pico na vida adulta e não muda – até que começa a decair na meia-idade”, diz Luders. “Hoje sabemos que tudo que fazemos, e todas as experiências que temos, na realidade, mudam o cérebro.”

De fato, Luders encontrou vá- rias diferenças entre os cérebros de pessoas que meditam e das que não meditam. Em um estudo publicado no periódico Neuro Image em 2009, Luders e seus colegas compararam os cérebros de 22 meditadores e 22 não meditadores da mesma faixa etária e descobriram que os meditadores (que praticavam uma gama grande de tradições e tinham entre 5 e 46 anos de meditação) tinham mais massa cinzenta nas regiões do cérebro importantes para a atenção, regulação da emoção e flexibilidade mental. Maior quantidade de massa cinzenta torna a área do cérebro mais eficiente ou poderosa no processo de informação. Luders acredita que o aumento da massa cinzenta no cérebro de meditadores poderia torná-los melhores no controle da atenção, no gerenciamento das emoções e na tomada de escolhas conscientes.

Por que há diferenças entre os cérebros dos meditadores e não meditadores? É uma simples questão de treino. Neurocientistas agora sabem que o cérebro que você tem hoje é, em parte, um reflexo das exigências que coloca sobre ele. Pessoas que aprendem a conciliar, por exemplo, desenvolvem mais conexões nas áreas do cérebro que antecipam mover objetos. Estudantes de medicina em períodos de aprendizado intenso mostram mudanças similares no hipocampo, uma área do cérebro importante para a memória. E matemáticos têm mais massa cinzenta em regiões importantes para aritmética e noção espacial.

Cada vez mais neurocientistas, como Luders, começam a pensar que aprender meditação não é diferente de aprender habilidades mentais como música ou matemática. Como qualquer outra coisa que requer prá- tica, a meditação é um programa de treinamento para o cérebro. “O uso regular pode fortalecer as conexões entre os neurônios e criar novas conexões”, explica Luders. “Essas mudanças minúsculas, em milhares de conexões, podem levar a transformações visíveis na estrutura do cérebro.”

Essas mudanças estruturais criam um cérebro que é melhor ao fazer qualquer coisa que você pede. Os cérebros de músicos podem melhorar para analisar e criar música. Os cérebros de matemáticos podem melhorar na resolução de problemas. Em que os cérebros de meditadores se tornam melhores? Isto é que é interessante: depende de que tipo de meditação é feito. 
Na última década, pesquisadores descobriram que se você pratica focar a atenção na respiração ou em um mantra, o cérebro se reestruturará para tornar a concentração mais fácil. Se pratica a aceitação da calma durante a meditação, vai desenvolver um cérebro que é mais resistente ao estresse. E se medita enquanto cultiva sentimentos de amor e compaixão, o cérebro se desenvolverá de certa ma- neira que você vai se sentir esponta- neamente mais conectado aos outros. 

 



Melhore a Atenção 

Uma nova pesquisa mostra que a meditação pode ajudá-lo a melhorar sua habilidade de se concentrar de duas maneiras. Primeiro, pode torná-lo melhor em focar em algo específico enquanto ignora distrações. Segundo, pode torná-lo mais capaz de notar o que está acontecendo à sua volta, dando a você uma perspectiva mais completa no momento presente.

Uma das mais fascinantes pesquisas sobre como a meditação afeta a atenção é conduzida por Antoine Lutz, Ph.D., cientista associado do Waisman Laboratory for Brain Imaging and Behavior na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, em colaboração com Richard Davidson e o Laboratory for Affective Neuroscience da Universidade de Wisconsin. O trabalho tem mostrado que a meditação concentrada, em que o meditador foca a completa atenção em uma coisa, como contar as respirações ou olhar para um objeto, ativa regiões do cérebro que são usadas para controlar a atenção. Isso acontece até em me- ditadores novatos que receberam um treino breve. Meditadores experientes mostram ativação ainda mais forte nessas regiões. Se a meditação treina o cérebro para prestar atenção, isso era de se esperar. Mas meditadores extremamente experientes (que têm mais de 44 mil horas de prática de meditação) mostram menos ativação nessas regiões, embora a performance deles nas tarefas de atenção seja melhor. A explicação para isso, do ponto de vista de Lutz, é que o treino de meditação pode ajudar eventualmente a reduzir o esforço para focar a atenção. “Isso seria consistente com relatos de progresso na prática de meditação. Manter o foco se torna menos trabalhoso”, diz Lutz. Isso sugere que pessoas podem melhorar a concentração imediatamente aprendendo uma técnica simples de meditação, e que a prática cria ainda mais progresso.

Os pesquisadores também observaram se o treino em meditação vipassana pode melhorar a atenção no geral. (Vipassana significa “ver as coisas como elas realmente são”, e as técnicas de meditação são projetadas para melhorar foco, consciência e compreensão.) Os pesquisadores rotulam a inabilidade de notar coisas em nosso ambiente como “piscada da atenção”. A maioria de nós experimenta isso ao longo do dia, quando ficamos tão presos em nossos pensamentos que perdemos algo que um amigo diz e temos de pedir para repetir. Um exemplo mais dramático seria um acidente de carro causado porque estava pensando em uma conversa que acabou de ter e não percebeu que o carro da frente parou. Ser capaz de reduzir sua “piscada da atenção” significaria uma percepção da realidade mais aguçada e completa – você notaria mais e perderia menos. 
Para testar se diminuíam as “piscadas da atenção”, os participantes tinham de notar duas coisas que ocorriam rapidamente, separadas por menos de 1 segundo. As descobertas, publicadas no PLoSBiology, revelaram que a prática de meditação melhorou a habilidade dos participantes de notar as duas mudanças, sem perda na precisão.

O que explica essa melhora? Resultados de eletroencefalograma – que traça padrões da atividade elétrica do cérebro, mostrando precisamente, momento por momento, as flutuações na ativação do cérebro – mostraram que os participantes usavam menos recursos mentais para a tarefa de notar cada alvo. Na verdade, os meditadores gastavam menos energia mental ao notar o primeiro alvo, o que liberou uma “banda larga” mental para perceber o que vinha a seguir. Prestar atenção literalmente se tornou mais fácil para o cérebro.

Como resultado, Lutz e seus colegas acreditam que a meditação pode aumentar o controle sobre nossos recursos cerebrais limitados. Para todos aqueles que sabem o que é se sentir disperso ou esgotado, esse é um benefício bem atraente. Embora sua atenção seja um recurso limitado, você pode aprender a fazer mais com a energia mental que já tem. 





Reduza o Estresse
dhyana heyad tad vrttayah 
a meditação remove perturbações da mente (Yoga Sutra II.ii)

 
A pesquisa também mostra que a meditação pode ajudar as pessoas com desordens de ansiedade. Philippe Goldin, diretor do projeto Clinically Applied Affective Neuroscience, do Departamento de Psicologia da Universidade Stanford, usa a meditação consciente em seus estudos. A prática geral é se tornar ciente do momento presente – prestando atenção aos sons, à sua respiração, às sensações no corpo, a pensamentos ou sentimentos – e observar sem julgamento e sem tentar mudar o que notar.

Como muitos de nós, os participantes do estudo de Goldin sofrem de todos os tipos de distúrbios mentais – preocupações, dúvidas sobre si mesmo, estresse e síndrome do pânico. Mas as pessoas com desordens de ansiedade se sentem incapazes de escapar de tais pensamentos e emoções, e deixam suas vidas serem tomadas por isso. A pesquisa de Goldin mostra que a meditação consciente oferece liberdade para pessoas com ansiedade, em parte por mudar a maneira como o cérebro responde a pensamentos negativos.

Em seus estudos, participantes fazem um curso de oito semanas para a redução de estresse. Eles se encontram uma vez por semana para uma aula e praticam sozinhos por pelo menos uma hora por dia. O treinamento inclui meditação consciente, meditação em movimento, Yoga leve, relaxamento com consciência do corpo e discussões sobre consciência no dia a dia. 
Antes e depois da intervenção, os participantes tiveram os cérebros escaneados em uma máquina de ressonância magnética funcional, que olha a atividade cerebral e não a estrutura, enquanto completavam o que Goldin chamou de “processo autorreferencial” – que é pensar sobre si mesmo. Um scanner da RM traça quais áreas do cérebro consomem mais energia durante a meditação e, portanto, quais regiões são mais ativas.

Ironicamente, as sessões de escaneamento do cérebro poderiam provocar ansiedade até nas pessoas mais calmas. Os participantes tinham de ficar deitados de costas com a cabeça presa no scanner cerebral. Os dentes são colocados em uma cera dental para prevenir qualquer movimento na cabeça ou conversa. Então, pedia- se que refletissem sobre diferentes declarações sobre si mesmos que apareciam em uma tela à frente. Algumas declarações eram positivas, mas muitas delas não eram, como “eu não estou bem como estou”, ou “há algo errado comigo”. Esses são exatamente tipos de pensamento que aborrecem pessoas com ansiedade.

s varreduras do cérebro mostraram um padrão surpreendente. Depois da intervenção consciente, os participantes tiveram maior atividade em uma rede do cérebro associada com o processo de informação quando refletiam sobre autodeclarações negativas. Em outras palavras, eles prestavam mais atenção em declarações negativas do que antes da intervenção. E também mostraram aumento da ativação na amídala – uma região associada com estresse e ansiedade. Mais importante, os participantes sofriam menos. “Eles relataram menos ansiedade e preocupação”, Goldin diz. “Rebaixavam-se menos e a autoestima melhorou.”

A interpretação de Goldin sobre as descobertas é que a meditação consciente ensina as pessoas com ansiedade a lidar com pensamentos e emoções estressantes sem serem do- minadas por eles. A maioria das pessoas afasta pensamentos desagradáveis ou fica obcecada por eles – ambos dão mais poder à ansiedade. “O objetivo da meditação não é se livrar de pensamentos e emoções. É se tornar mais consciente dos pensamentos e emoções e aprender como passar por eles sem ficar preso.” As varreduras do cérebro sugerem que os sofredores de ansiedade estavam aprendendo a testemunhar pensamentos negativos sem obter uma resposta de ansiedade.

Pesquisa de outros laboratórios confirma que a meditação consciente pode levar a mudanças duradouras no cérebro. Por exemplo, um estudo recente do Hospital Geral de Massachusetts e da Universidade de Harvard colocou 26 adultos muito estressados em um curso de oito semanas de redução de estresse que seguia os mesmos moldes do estudo de Goldin. As varreduras cerebrais eram feitas antes e depois da intervenção, junto com os relatos de estresse dos próprios participantes. Os participantes que relataram diminuição do estresse também mostraram uma diminuição da densidade na massa cinzenta da amídala. Uma pesquisa anterior revelou que trauma e estresse crônico podem aumentar a amídala e fazê-la mais reativa e mais conectada a outras áreas do cérebro, levando a maior estresse e ansiedade. Esse estudo é um dos primeiros casos documentados mostrando que uma mudança ocorre na direção oposta – com o cérebro se tornando menos reativo e mais elástico.

Juntos, esses estudos fornecem evidências animadoras de que pequenas doses de treino mental, como um curso de consciência de oito semanas, podem criar mudanças importantes no bem-estar mental das pessoas. 
 

Sinta-se Mais Compassivo 
maitryadisu balani 
o cultivo da cordialidade cria força interna (Yoga Sutra III.24) 

Nós pensamos que nosso limite emocional é fixo e imutável – uma reflexão da personalidade com que nascemos. Mas pesquisas revelam a possibilidade de que talvez sejamos capazes de cultivar e aumentar nossa habilidade de sentir o estado emocional de compaixão. Pesquisadores descobriram que se sentir conectado aos outros pode ser aprendido assim como qualquer outra habilidade. “Estamos tentando conseguir evidências de que a meditação pode cultivar compaixão e que é possível ver mudanças no comporta- mento da pessoa e na função do cérebro”, diz Lutz.

Então, como é a aparência da compaixão no cérebro? Para descobrir, Lutz e seus colegas compararam dois grupos de meditadores – um em que as pessoas eram experientes em meditação compassiva e outro em que os membros não eram – e deram a eles as mesmas instruções: gerar um estado de amor e compaixão pensando sobre alguém com quem se importavam, estender esses sentimentos para os outros e, finalmente, sentir amor e com- paixão sem nenhum objeto. Enquanto os participantes meditavam dentro do aparelho de ressonância magnética funcional, eram ocasionalmente inter- rompidos por sons humanos espontâneos e inesperados – como um bebê balbuciando ou uma mulher gritando – que evocam sentimentos de cuidado e preocupação.

Todos os meditadores mostraram respostas emocionais aos sons. Mas os mais experientes em meditação compassiva mostraram uma resposta maior do cérebro nas áreas importantes por processar sensações físicas e por respostas emocionais, particularmente a sons de angústia. Os pesquisadores também observaram um aumento na frequência cardíaca que correspondia às mudanças no cérebro. Essas descobertas sugerem que as pessoas que meditavam tiveram uma resposta enfática genuína e que me- ditadores experientes sentiram maior compaixão. Em outras palavras, a meditação compassiva aparentemente torna o cérebro mais aberto natural- mente para a conexão com outros.

Essas técnicas de meditação podem oferecer benefícios que vão além da experiência de compaixão espontânea. Um estudo feito pela professora de psicologia Barbara Fredrickson e seus colegas da Universidade Chapel Hill, na Carolina do Norte e da Universidade de Michigan, descobriu que um curso de meditação amorosa de sete semanas também aumentou a experiência diária de alegria, gratidão e esperança. Quanto mais os participantes meditavam, melhor se sentiam. Os participantes também relataram um senso maior de autoaceitação, apoio social, propósito na vida e satisfação, enquanto experimentavam menos sintomas de doença e depressão. Esse estudo fornece forte evidência de que desligar-se da ilusão de separação pode nos abrir para uma conexão com a vida mais significativa. 
 
Comprometa-se a Mudar 

Enquanto as evidências sobre os benefícios da meditação crescem, uma das questões mais importantes é: Quanto é suficiente? Ou, da perspectiva de muitos iniciantes: Quão pouco é suficiente para se perceber alguma mudança? 
Os pesquisadores concordam que muitos dos benefícios acontecem logo no início. “Mudanças no cérebro ocorrem no início do aprendizado”, diz Luders. E muitos estudos mostram mudanças em questão de semanas, ou até minutos, entre meditadores inexperientes. Mas outros estudos sugerem que a experiência importa. Mais prática leva a maiores mudanças, tanto no cérebro quanto nos estados mentais. Então, enquanto um investimento mínimo em meditação pode compensar pela clareza e bem-estar mental, comprometer-se com a prática é a melhor maneira de experimentar os benefícios completos.

Luders, que era uma meditadora esporádica quando começou o estudo, teve uma experiência tão positiva com meditadores experientes que se sentiu motivada a voltar à prática. “Nunca é tarde demais”, diz. Ela sugere começar devagar e fazer da meditação um hábito regular. “O modelo no nosso estudo eram sessões diárias, de 10 a 90 minutos. Comece com 10.” 
Se começar, pode descobrir que a meditação apresenta benefícios além do que a ciência tem revelado. Na verdade, levará tempo para a ciência alcançar a sabedoria dos grandes professores de meditação. E mesmo com os avanços na tecnologia cerebral, há mudanças sutis e profundas transmitidas apenas pela experiência direta. Felizmente, tudo que você precisa para começar é disposição para se sentar e estar com seu próprio corpo, respiração e mente.


Coloque em Prática

Meditação Concentrada 
Por Christopher Tompkins

Sente-se confortavelmente, no chão ou em uma cadeira, para que os joelhos fiquem abaixo do topo da pelve e você possa manter a curva natural da coluna. Se sentar-se no chão, os joelhos podem descansar no solo ou em cobertores enrolados. 
Faça o mudra (selo) conhecido como postura divina (divya karana) para a meditação de um texto antigo, oSvacchanda Tantra. O texto instrui: “Tendo o corpo ereto, a língua deve ficar estendida acima, um pouco no palato, mas sem tocá-lo. A boca e os dois lábios não se tocam e devem ficar um pouco separados, juntos com as duas fileiras de dentes”. O mudra é conhecido por dispensar o estresse, a ansiedade e a raiva e aumentar a concentração por acalmar a tagarelice da “mente de macaco”.

Na posição sentada com o mudra feito, mantenha os olhos abertos e o olhar parado. Foque a atenção suavemente um pouco à frente da ponta do nariz ou em um objeto à sua frente, como a chama de uma vela. Faça inspirações profundas e curtas, como um bocejo, com uma pausa breve no pico. Então, em uma expiração longa, cante o mantra Om. Sinta o mantra e a respiração subirem do local do coração até a área do palato.

Não precisa controlar ou parar a mente durante a prática. Quando os pensa-mentos aparecerem, deixe-os ir, e retorne a atenção à respiração e ao mantra. Pratique dessa maneira por 5 minutos, então faça, de 5 a 20 minutos, uma meditação silenciosa enquanto repete o mantra Om em cada expiração.
 

Meditação Consciente 
Por Frank Jude Boccio

Consciência requer concentração, mas em vez de concentrar em algum objeto, podemos nos concentrar no momento ou no que está presente no momento. Para começar, sente-se confortavelmente. Traga a atenção colocando a consciência no abdome e sentindo-o subir e descer. Isso vai ajudá-lo a sintonizar na presença sensorial do corpo. Uma vez que se sentir estabelecido, expanda a consciência para incluir todas as sensações no seu corpo tanto quanto qualquer pensamento ou sentimento.

Imagine-se como uma montanha. Alguns pensamentos e sentimentos serão tempestuosos, como trovões, raios e ventanias. Outros serão como neblina ou nuvens escuras. Inspirando, note “montanha”. Expirando, note “estável”. Use a respiração para focar no momento presente; cultive a habilidade de aguentar a tempestade. Se sentir-se arrebatado em um pensamento ou emoção, note-o e simplesmente retorne à respiração. O segredo é prestar atenção no processo sempre mutável de pensar em vez de no conteúdo dos pensamentos. Quando começar a ver que são apenas pensamentos, perderão força. Você não acreditará mais em tudo que pensa! Continue a prestar atenção e torne-se consciente de seus pensamentos, sentimentos e sensações por 5 a 20 minutos.
 


Meditação Amorosa 
Por Kate Vogt

Sente-se confortavelmente em um local onde não seja perturbado. Faça de três a cinco respirações silenciosas. Feche os olhos suavemente.

Imagine o horizonte cruzando seu peito com um sol radiante nascendo no centro mais interno – seu coração. Como se fosse derretida pelo calor do sol, libere a tensão nos ombros e pela garganta. Suavize a testa e volte a atenção para dentro na luz interna. Faça de sete a dez respirações suaves e iguais. Enquanto inspira, imagine o brilho do coração expandir para a superfície interna do corpo. Em cada expiração, deixe a luz recuar. Faça novamente de sete a dez respirações tranquilas. Inspire, imagine que a luz toca as partes que interagem com o mundo – olhos, ouvidos, o centro da voz na garganta, as palmas das mãos, as solas dos pés. Expire, sinta a luz ainda mais clara. Enquanto continua a inspirar e expirar, diga silenciosamente: “Eu irradio cordialidade para aqueles que são felizes, compaixão para os que são infelizes, equanimidade para todos”. Então, sente-se em silêncio por alguns minutos.

Quando se sentir completo, coloque as palmas das mãos juntas em frente ao peito e faça reverência com a cabeça. Libere as costas das mãos nas coxas e levante a cabeça. Gentilmente, abra os olhos para retornar ao horizonte do mundo.

Kelly McGonigal ensina Yoga, meditação e psicologia na Universidade Stanford e é autora de Yoga for Pain Relief. www.kellymcgonigal.com





Fonte: Meditação


domingo, 27 de janeiro de 2013

Alongamento, ioga e massagens também liberam as emoções

Praticar alongamento e ioga, além de fazer massagem, movimenta o físico e ajuda a trabalhar novas ideias.

A ioga solta o corpo e, ao mesmo tempo, estimula a busca pela liberdade interior
 Em tempos de mudanças aceleradas e múltiplas tarefas, a flexibilidade deixa de ser diferencial para se tornar premissa básica da vida contemporânea. A ordem é soltar a cintura e requebrar sempre que as situações solicitarem traquejo.

"Pessoas rígidas vivem presas a um modo único de pensar e de se comportar, não importa se estão na praia, no trabalho ou em família", diz a psicoterapeuta Ana Lúcia Faria, especializada em psicoterapia reichiana e análise bioenergética, de São Paulo.
Segundo tradições orientais como a ioga e a massoterapia, a maneira como tratamos nosso corpo se reflete, ainda que por vezes de forma sutil, em nossa visão de mundo e, consequentemente, em nosso comportamento. Afinal, mente, corpo e espírito estão interligados. Sob essa perspectiva, um canal, quando lapidado, afeta o outro, e assim por diante.
"Essa integração resulta em mais força de vontade, mais flexibilidade nas relações, mais resistência a frustrações e agilidade mental para responder assertivamente às necessidades da vida moderna", diz Eduardo Legal, educador físico, professor de ioga e docente do curso de naturologia da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.
Massagem
Um outro aliado eficiente nessa busca de comportamentos menos rígidos é a massagem. Além de amolecer os músculos, determinadas técnicas vão fundo, dissolvendo bloqueios energéticos. "Todas as correntes da massoterapia oriental visam desobstruir os canais que distribuem energia vital para as diferentes partes do organismo", afirma Marcelo Passos, massoterapeuta e professor de ioga.
Imagine que nossa estrutura é um mapa de pontos que influenciam o funcionamento de órgãos e glândulas. Uma vez destravados os "nós" desse esquema, o indivíduo tende a recuperar o equilíbrio e a saúde. "Depois de uma sessão de massagem, a pessoa sai com a expressão leve e o organismo mais aberto." Com o tempo, assegura o especialista, o cliente se prepara para receber o que o mundo pode ofertar e também se fortalece para enfrentar possíveis dificuldades.
Segundo Passos, a ioga e a massagem falam a mesma língua. Por isso, podem ser combinadas à vontade. "As modalidades soltam o corpo e, ao mesmo tempo, estimulam a busca pela liberdade interior, pela compreensão de quem somos em relação a uma dimensão superior", diz.
A diferença fundamental é que, enquanto a massagem se presta muitas vezes a atenuar queixas emergenciais, como dores musculares pontuais, a ioga consiste num trabalho de longo prazo. "Com o tempo e a interferência dos exercícios respiratórios, o aluno toma consciência de si e de suas emoções", afirma.

 Alongamento
Exercícios de alongamento também são uma ótima pedida para destravar os movimentos. "Por meio deles, podemos melhorar muito a amplitude articular de determinados gestos, o que previne lesões musculares", afirma Legal. "Além de expandir o alcance de ações cotidianas, como agachar ou pegar um objeto acima da cabeça, o alongamento também é fundamental para aumentar o fluxo sanguíneo, conferindo leveza ao corpo em repouso ou em deslocamento", diz o professor Abdallah Achour Junior, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, e autor de Flexibilidade e Alongamento (ed. Manole).


Indivíduos flexíveis permanecem abertos e conectados aos momentos da vida



Fonte:Yoga

domingo, 6 de janeiro de 2013

O Significado de ‘Namaste’

O gesto Namaste representa a crença de que há um brilho divino dentro de cada um de nós.



O gesto é o reconhecimento da alma de um no outro. “Nama” significa saudação ou reverência, “as” quer dizer eu e “te”, você. Logo, Namaste literalmente significa “saudação eu você” ou “Eu saúdo a você” ou seja, O Deus que há em mim saúda o Deus que há em você. Para fazer o gesto Namaste, colocamos as palmas das mãos juntas na frente do chakra do coração, em frente ao terceiro olho, feche os olhos e arqueie levemente a cabeça. Também pode ser feito da mesma forma, só que trazendo as mãos abaixo do coração. Essa é uma forma especialmente profunda de respeito. Apesar de a palavra Namaste no Ocidente ser dita em conjunção com o gesto, na Índia, é compreendido que o gesto por si só significa Namasté e então, não há necessidade de dizer a palavra quando saúda ou reverência. 

 
Trazemos as mãos em direção ao chakra do coração para aumentar o fluxo do amor Divimo. Arquear a cabeça e fechar os olhos ajuda a mente a render-se ao Divino no coração. Pode-se fazer o Namaste a si próprio como uma técnica de meditação para atingir profundamente o chakra do coração; quando feito a outra pessoa, apesar de rápida, é igualmente uma bonita meditação. Para um aluno ou professor, o Namaste permite que dois indivíduos encontrem-se energeticamente para estabelecer uma conexão e eterno, livre da obrigação da ego-conexão.é feito com um sentimento profundo no coração e com a mente rendida, uma profunda união de espíritos pode florescer.

O ideal é que ambos Namaste sejam feitos no início e final da aula. Usualmente, é feito ao final da aula porque a mente está menos ativa e a energia da sala é mais pacífica. O professor inicia Namaste como símbolo de gratidão e respeito em relação aos alunos e convida a todos para que conectem com a sua linhagem, através disso permite que a verdade flua - a verdade que todos somos um quando vivemos com o coração.



Fonte: Namaste


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"Não violência" (Ahimsa)



"Qualquer discurso relacionado à "não violência" (Ahimsa) só tem sentido se quem o propaga pratica os fundamentos não só com os humanos mas também com os animais e a natureza."



Campanha dos ativistas da Ativeg: http://www.ativeg.org/

sábado, 22 de setembro de 2012

Poema Se – Professor Hermógenes







Se, ao final desta existência,

Alguma ansiedade me restar



E conseguir me perturbar;


Se eu me debater aflito

No conflito, na discórdia… 




Se ainda ocultar verdades

Para ocultar-me,

Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas… 




Se restar abatimento e revolta

Pelo que não consegui

Possuir, fazer, dizer e mesmo ser… 




Se eu retiver um pouco mais

Do pouco que é necessário

E persistir indiferente ao grande pranto do mundo… 




Se algum ressentimento,

Algum ferimento

Impedir-me do imenso a




lívio

Que é o irrestritamente perdoar, 




E, mais ainda,

Se ainda não souber sinceramente orar

Por quem me agrediu e injustiçou… 




Se continuar a mediocremente

Denunciar o cisco no olho do outro

Sem conseguir vencer a treva e a trave

Em meu próprio… 




Se seguir protestando

Reclamando, contestando,

Exigindo que o mundo mude

Sem qualquer esforço para mudar eu… 




Se, indigente da incondicional alegria interior,

Em queixas, ais e lamúrias,

Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia

Para a minha ainda imperiosa angústia… 




Se, ainda incapaz

para a beatitude das almas santas,

precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende… 




Se insistir ainda que o mundo silencie

Para que possa embeber-me de silêncio,

Sem saber realizá-lo em mim… 




Se minha fortaleza e segurança

São ainda construídas com os materiais

Grosseiros e frágeis

Que o mundo empresta,

E eu neles ainda acredito… 




Se, imprudente e cegamente,

Continuar desejando

Adquirir,

Multiplicar,

E reter

Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,

Na ânsia de ser feliz… 




Se, ainda presa do grande embuste,

Insistir e persistir iludido

Com a importância que me dou… 




Se, ao fim de meus dias,

Continuar

Sem escutar, sem entender, sem atender,

Sem realizar o Cristo, que,

Dentro de mim,

Eu Sou,

Terei me perdido na multidão abortada

Dos perdulários dos divinos talentos,

Os talentos que a Vida

A todos confia,

E serei um fraco a mais,

Um traidor da própria vida,

Da Vida que investe em mim,

Que de mim espera

E que se vê frustrada

Diante de meu fim. 




Se tudo isto acontecer

Terei parasitado a Vida

E inutilmente ocupado

O tempo

E o espaço

De Deus.

Terei meramente sido vencido

Pelo fim,

Sem ter atingido a Meta.


Professor Hermógenes